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I
Há uma caixa no fundo de um armário. Papéis amarelados, velhos documentos e fotos abandonadas habitam esse povoado há muito esquecido. Embora relegado à escuridão do passado, ela resistiu a todas as nossas mudanças de apartamentos e persiste ali, encrustada naquela vila de madeira e mofo. É sobre ela que quero falar, e de todos esses devaneios que hoje enferrujam no fundo de minha memória. E escreverei num papel tão gasto quanto ela, que é pra que não se perca, como os dados de um computador, os vinis do meu pai e a tinta dessa parede. Perdoe-me se não fizer sentido como deverei, contarei como são os sonhos e muitas vezes eles assim parecem, translúcidos e deixam revelar muito do seu exterior. Conto para que não esqueça. Porque tenho medo e ando muito sentimental. Perdoe-me.